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O que o mercado de motos (no Brasil) pode aprender com o de tecnologia

9 fevereiro 2012 Escrito por 25 comentários

O mercado de tecnologia tem muito a ensinar ao mercado de Motocicletas, principalmente no Brasil.

O Brasil vive uma realidade econômica nunca antes vista. A renda das pessoas tem aumentado, e o acesso aos bens de consumo tem se Tornado mais fácil. Paralelo a isso, a indústria de um modo geral vê a cada dia surgirem novos concorrentes de peso, que ameaçam a hegemonia antes conhecida por todos.

Para manter-se no topo, as empresas devem apostar em inovação, tecnologia e na simplicidade de seus produtos. Mas apenas isso não é suficiente, pois de nada adianta um produto maravilhoso que chega tarde ao mercado, depois que todos os concorrentes já lançaram seus equivalentes, ou pior: Um produto que ninguém precisa, ou “sabe que precisa”.

O mercado de tecnologia tem se adaptado bem a este fenômeno. A Apple, por exemplo, faz suas apresentações duas vezes por ano, antecipando os lançamentos. O iPhone foi anunciado 5 meses antes de começar a ser vendido, em 2007, e durante estes 5 meses as pessoas ficaram com a expectativa de comprar o tal aparelho até então desconhecido.

Steve Jobs no Keynote em 2007

Steve Jobs no Keynote em 2007

Durante estes 5 meses, quem pretendia trocar de celular acabou adiando a troca, para dar preferência a produto inovador, da marca que era novata na produção de aparelhos celulares, mas já era consagrada por produzir produtos de ótima qualidade. Inúmeros fabricantes lançaram smartphones com outros sistemas operacionais antes do lançamento oficial, mas todos tiveram poucas vendas.

Hoje, praticamente qualquer produto tecnológico a ser lançado é anunciado com alguns meses de antecedência. Foi o que aconteceu com o iPhone 4, com os celulares com Windows 8 Mobile (Mango), com o Playstation 3 (isso em 2006!), com o Kinect, com a Nikon D800, e com muitos outros produtos. Em comum, todas a previsões tem: Data, Especificações e Preço. Nós já conseguimos saber antecipadamente o que esperar do produto, e assim, conseguimos decidir antecipadamente onde gastar nosso suado dinheiro.

No mercado de Motos, isso raramente acontece. O último exemplo foi o da V-Strom 650 2012, que lá fora teve um pequeno suspense durante 3 semanas. A estratégia só não deu mais certo pois as fotos e especificações oficiais vazaram, e eles acabaram tendo que antecipar o lançamento. No mais, as motos são anunciadas apenas nos salões, como “conceitos”, mas nunca se sabe se aquilo vai vir ao mercado algum dia, nem quanto vai custar.
Publicidade inicial da V-Strom 650 2012

Aqui no Brasil é ainda pior: As motos simplesmente aparecem na concessionária. Quando muito, são antecipadas apenas algumas semanas antes do lançamento. Não há uma prévia dos lançamentos para o ano todo.
Como a maioria dos projetos vem de fora do país, nós já vemos as motos lá fora e já conhecemos tudo a respeito delas: Especificações, preços, inúmeras fotos… Mas não sabemos sequer se algum dia esses modelos vão vir para o Brasil, e nem quanto custarão caso isso aconteça.

Exemplo prático: A Dafra, que era uma marca pequena até então, trouxe sem fazer alarde a excelente Big Scooter Citycom 300i, fabricada pela Taiwanesa SYM. No início, não vendeu muito bem, afinal as pessoas não confiavam muito no nome “Dafra”, graças aos problemas dos primeiros modelos.

Citycom 300i

Citycom 300i

Com o tempo passando, a Scooter passou a receber inúmeros prêmios, e os proprietários cada vez mais divulgam sua satisfação com o produto e recomendam aos amigos. Assim, a Scooter passou a vender mais. Quem antes tinha receio de comprar, agora já tem mais confiança. A Dafra vendeu 2.902 unidades deste Scooter até Dezembro de 2011, apenas 14 meses desde seu lançamento.

Para interromper este fenômeno, bastaria a Honda ou a Yamaha anunciar que vai lançar daqui “X” meses uma Scooter de 250cc na faixa de R$ 14 mil. Difícil? Tanto a Honda quanto a Yamaha poderiam projetar um Scooter do zero em pouquíssimo tempo, mas caso não quisessem, elas já possuem excelentes exemplares no mercado europeu, bastaria importar a produção para cá e começar a vender, e 6 meses já são suficientes para isso.

A Yamaha trouxe, no Salão Duas Rodas do ano passado, a X-MAX 250, um Big Scooter bem bacana. Mas apenas trouxe para exibir. Não disse se vai vender, não disse por quanto, nem quando. É claro que isso não serve para concorrer com ninguém. Que o Scooter existe, todos nós já sabemos, afinal, acompanhamos os lançamentos no exterior. O que nos interessa é: Quando e quanto.

X-Max

X-Max

O mesmo acontece com a FZ8, substituta da FZ6 que foi simplesmente descontinuada sem maiores explicações. Nenhuma promessa concreta foi feita, apenas um “vamos ver”, sem nenhum compromisso. Enquanto isso, CB1000R e Z750 está nadando de braçada.

As pessoas querem expectativa: Se os fabricantes anunciassem antecipadamente alguns lançamentos, inibiriam os lançamentos reais das outras marcas. Um exemplo disso acontece nos EUA. Um fabricante de carros elétricos, “Tesla Motors”, já produz e vende um excelente carro esportivo elétrico, o Tesla Roadster. Ele já produz esse carro a muito mais tempo do que a Chevrolet produz o Volt, mas bastou a Chevrolet anunciar que estava “desenvolvendo” o Volt, para que as pessoas ansiosas por um carro elétrico esperassem pelo lançamento da marca mais conhecida, que levou nada menos do que 4 anos. Se a Chevrolet tivesse ficado quieta durante todo o período de desenvolvimento, a Tesla teria vendido muito mais carros, e certamente seria uma enorme concorrente para a Chevrolet nos dias atuais.

É assim que gigantes como Chevrolet, Microsoft e Apple tentam se manter no topo: Criando expectativa em seus consumidores fieis, evitando perde-los para a concorrência. Já os menores, tentam ganhar estes consumidores com inovação, disponibilidade imediata, bons produtos e preço competitivo. A Samsung, Hyundai e Dafra tem ganhado muito mercado assim.

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25 comentários

  1. Filipe Figueirêdo disse:

    Muito interessante essas abordagens e comparações entres os mercados, faz muito sentido, tomara que o pessoal da Yamaha e da Suzuki leiam isso.

  2. Ângelo disse:

    Quando e quanto. Realmente é o que nos interessa. Mas será que isso não acabaria com a venda do mesmo produto do ano anterior?

    • Daniel Ribeiro disse:

      Angelo, pelo contrário. Se eu já sei antecipadamente que a moto do próximo ano vai ser igual, eu compro sem medo.
      Se eu sei que a moto do próximo ano vai ser melhor, e o preço da atual for bem bacana, eu compro o modelo atual sem medo.
      E se estou procurando justamente pela moto que vai vir no ano que vem, eu economizo meu dinheiro e compro ela logo que for lançada, pagando preço mais alto de lançamento.

      O fabricante nunca perde. As pessoas tem dinheiro para gastar… O maior problema é a falta de perspectiva: Nós simplesmente não sabemos se teremos novidades das marcas tradicionais. Enquanto isso, as marcas novas nos bombardeiam com novidades. Difícil resistir a uma oferta dessas por muito tempo.

  3. Sergio disse:

    Análise de mercado bastante interessante.
    ABRAÇOS.

  4. Ju Medeiros disse:

    O empresariado brasileiro no setor de motocicletas ta começando a respeitar os compradores. Eu tinha uma V Strom 1000 e ficava na espera e na torcida de chegar a mesma com ABS, e nada, enquanto na Europa já lançavam com, (a 650), que seja!!! mas no Brasil não chegou e passei para GSA 1200 R, não me arrependi,claro!!! e fico feliz em ter dois anos de garantia pela fabrica.

  5. Eduardo disse:

    Ótima matéria Daniel! Aproveitando a deixa com a vsão sobre lançamentos, um que ficou bastante visado, foi o da CBR250R da hona, que veio concorrer com a ninja 250r e a comet 250gtr. Eu estive em uma revendedora oficial da honda em Taubaté e perguntei ao gerente o que aconteceu, pois a previsão e expectativa era pra janeiro e até agora nada; então ele me respondeu que ela será importada completa(nem mesmo montada aqui) e o preço será na faixa de 18.000 dilmas. Não tem como alguem comparar uma monocilindrica com 24 cv por uma bi de 33 que custa 16.000!!! É obvio que vai vender bem pelo prestigio da honda. Ainda sim, mais por desinformação que pelo conjunto em si!

    • Daniel Ribeiro disse:

      Eduardo, as informações das concessionárias são desencontradas. A informação oficial da Honda é que ela seria vendida por aqui no final de Janeiro… Obviamente o prazo se esgotou e até agora nada. Mas de qualquer forma, a Honda vai sim vender a CBR250R por aqui. Já estão gravando comerciais de TV e produzindo material impresso sobre a moto. Acho que este mês sai.

      Quanto ao preço: Até agora ninguém sabe. Já ouvi falar de R$ 13 a 18 mil… Se custar 18 mil, só sendo muito burro pra comprar… Porque por 16 você compra a Ninja 250R (que é MUITO mais moto), por 20 você compra uma GT650 Kasinski, e por 22 uma ER-6n Kawasaki.

      Eu ainda acredito que ela deve vir mais barata que a Ninja 250… Se vier acima de R$ 15 mil, vai encalhar.

      • Ângelo disse:

        Também acredito que virá abaixo dos 15 mil. Se for mais que isso, vai encalhar e começar a baixar o preço.

        Vais er igual a Z1000 que tá baixando cada vez mais por conta da Hornet gigante! rs

        Mesmo vindo mais barato que a Ninjinha, seu eu fosse comprar algo no estilo, preferia juntar mais uns cascalhos e ficar com a Ninjinha, nem que fosse uma usada, pouquíssimo rodada! É mais moto! Mais bonita… MAis tudo!

      • Eduardo disse:

        Realmente Daniel, não da pra confiar no que falam por aí, mas ainda sim, a moto nem Deu sinal de vida(exceto pelo salão duas rodas), e se ela vier montada, o preço será muito acima do que supostamente vale(exemplo da ninja que era vendida por 18,500 na importação).
        Ainda sim, eu vou de ninja; pois alem de pouquissimas reclamações e muito bonita.
        Repito, pode até vender com um preço exorbitante, mas isso não vai durar pela crescente competitividade no mercado, dafra expôs isso com a Roadwin 250r, e, se Deus quiser, a yamaha vem com a R4 pra cá! Aí só daria pra ter ogulho do mercado brasileiro!(no segmento 250 esportiva, claro.)

        • Daniel Ribeiro disse:

          Essa Roadwin pra mim foi um tiro n’água da Dafra… Que ideia de trazer uma moto carburada nos dias de hoje! Chega de carburador! E por R$ 12.490,00, sem condições… por R$ 11.800 dá pra comprar uma CB300 ou uma Fazer. E se faz questão da carenagem, por R$ 14.990,00, uma Comet GTR.

          • Eduardo disse:

            Com certeza Daniel, pelo que eu li sobre, a moto nem ao menos atinge 130km/h com facilidade, o que pra quem procura esportividade, obviamente é um diferencial! Mas tendo em vista o menor preço e a vontade exacerbada que uns e outros tem de aparecer, até acho que ela venderá razoavelmente.

  6. Ângelo disse:

    Sei não… Não sei se alguém compraria uma Bandit 650S modelo 2011 se soubesse que em janeiro de 2012 fosse entrar uma Bandit com painel diferente, frente diferente, rabeta diferente… Ficar com moto nova mas modelo antigo é ruim!

    Dessas marcas “novas” no mercado, quais delas você acha que vai ser uma das tops daqui a alguns anos?
    Um amigo do serviço comprou uma Comet 650. Eu falei mal até ele se estressar! rsrs Mas por puro preconceito mesmo. rs

    • Alexandre - Ctba disse:

      Se o desconto for bom, valeria a pena comprar um modelo desatualizado. É o que está acontecendo com a Chevrolet e os modelos Celta, Corsa e Prisma que serão descontinuados. Detalhe, neste início de ano a Chevrolet se tornou líder no mercado de automóveis, por esse motivo a Fiat está fazendo propaganda de ser a líder nos últimos 10 anos no mercado nacional.

      Quanto às marcas novas, algumas temos certeza que não terão um futuro muito distante. Shineray, Iros e Traxx são horríveis e sofríveis. Dafra e Kasinski são “melhorzinhas”, mas ainda assim não passam de importadas montadas no Brasil. Nacionalizar de verdade a fabricação seria um modo de mostrar que elas vieram para ficar, passando mais confiança ao consumidor.

      Não tenho preconceito pelas “chinezinhas”, tanto que tenho uma Kasinski Comet 150 2011/2011.

  7. André disse:

    Ótima matéria. De fato, o mercado de motos não sabe aguçar a curiosidade dos consumidores que mais se interessam pelos veículos.

    Provavelmente muito de vocês já sabem, mas há uma especulação em torno da Honda CRF 250L, que viria para o Brasil para substituir a Tornado. O pior é que a Honda não se manifesta claramente, dizendo “sim” ou “não”, fica essa palhaçada de especulação, especulação, e nada sai do papel. Particularmente, eu prefiro a CRF 250L à CBR 250R, acho que uma moto mais “cross” faria muito mais sucesso que uma esportiva, além do fato que a XR 300 não agradou a uma boa parte do segmento que esperava algo REALMENTE “cross”.

  8. MICHAEL RODRIGO disse:

    Alguma noticia quente sobre a Croosrunner da honda?

  9. Marcos disse:

    Concordo com a opinião do Daniel completamente. Alem do que a margem de lucro e o potencial para venda de motos são enormes no Brasil o que permitiria com certeza manter os lançamentos no Brasil alinhados com o mercado mundial. Não é necessário mais ter motos “defasadas” para manter a competitividade, muito pelo contrário.

    Um exemplo é o grande interesse da BMW no Brasil que respeitando o consumidor brasileiro alinhou sua linha de produtos com o exterior nos últimos 3 anos, mantendo/reduzindo preços e aumentando o custo/benefício. Assim vem crescendo em vendas vertiginosamente (só em janeiro deste ano vendou 11,1% mais motos do que em janeiro de 2011). Em nenhum outro lugar as vendas da BMW tem crescido tanto, sinal do amadurecimento do comprador brasileiro.

  10. Luciano A. Ruggero disse:

    Perfeito Daniel.
    A uma semana mandei um e-mail pra Yamaha perguntando justamente isso, trouxe a X-max para o salão duas rodas, criou expectativa (pra mim que tenho uma Lead e quero trocar por uma SCOOTER 250cc) e a resposta foi seca, sem previsão, sem data, sem preço. Até o fato de achar sua matéria é porque estou justamente a procura de noticias a respeito da X-max (estou a procura de expectativas…)
    Confirmando o que escreveu, se eu tivesse a certeza sobre a vinda (mesmo que razoavelmente mais caro – nada absurdo) eu guardaria grana para ter a oportunidade de te-la primeiro.
    Sabe o que vou acabar fazendo? Vou comprar uma Citycom!

  11. Fernando disse:

    Realmente a política e o marketing da maioria dos “fábricantes” de motos é ruim ou péssima aqui no Brasil, na minha opinião. Falta respeito e confiança para o consumidor.
    Esta expectativa (positiva) que os fabricantes poderiamm criar nos consumidores que o Daniel falou, ajudaria a criar mais confiança nas marcas também.

    Outro descaso com o consumidor brasileiro é o fato de as fábricas simplesmente tirarem modelos do mercado sem nenhuma explicação, e nem apresentam substitutas ou alguma evolução.

    A maioria das concessionárias lhe atende de uma forma que parece estarem fazendo um favor. A conversa desse pessoal então é totalmente voltada prá te empurrar algo, nem interessa o que você está pensando. Se precisar saber algo, o melhor que você pode obter é entrando no site oficial das marcas, e olhe lá.

    Ainda um comentário sobre os preços, nas motos se paga “apenas R$ 3 mil ou R$ 4mil por um sistema ABS, e sempre justificam que vale cada centavo, isso, e aquilo. Estes dias vi a Volkswagen anunciar um pacote de ABS + air bag p/ linha Gol/ Voyage por R$ 1.300,00, se não estou enganado. Olha que ali são dois acessórios (ABS+ Air bag), e UM SISTEMA QUE ATUA COM 4 RODAS ( mais material, mais complexo) ! Nas motos deveria custar muito mais barato !

    Falta nosso mercado evoluir muito ainda, mas quem sabe, um dia chegamos lá.

    Abraços a todos.

  12. Alberto Henriques disse:

    Gostei da análise de mercado por esse ponto de vista.

  13. Aderpa disse:

    Se as fábricas nacionais anunciassem a intenção de lançamentos de novos modelos, pensam que isso faria cair a venda de outros modelos da própria marca. Ou seja: Não querem compromenter o estoque de motos já prontas para venda.

  14. marcos disse:

    esta dafra citycom quem possui é boa a relação custo benefício peças, pneus manutenção em geral sai barato? qual o consumo de gasosa dentro de um trânsito lento da cidade? quem tem a pelo menos dois anos(ou menos tempo ) o que acha?

  15. marcos disse:

    para piloto e passageiro adultos é confortável a dafra citycom 300i

  16. nilson disse:

    Olá Daniel,
    Acho que eles, os grandes fabricantes têm público cativo aqui no Brasil, daí que não se importam em informar, pois sabem que tudo que fizerem pode ser nos enfiado güela abaixo. Mas a concorrência é o melhor remédio. Cremos que esta situação está sendo alterada aos poucos á medida que novos e bons fabricantes vão conquistando fatias do mercado. Bom, é isso aí!



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