Lembranças de uma motociclista – Parte 1

Na noite passada eu estava lembrando de algumas coisas que já aconteceram comigo nesses anos em que piloto Motos. Comecei tentando lembrar de onde veio esse amor pelas Motocicletas, já que não tive incentivo familiar. E cheguei a conclusão de que simplesmente não sei de onde o amor vem.

Quando eu conheci o Daniel, eu já andava de Moto, então não foi ele que me influenciou. Na época em que comprei a moto, eu não avisei ninguém que iria fazer isso, então ninguém me influenciou de nenhuma forma a começar a andar de moto.

Antes mesmo de comprar, a minha primeira moto já tinha nome: Eleonora. Uma homenagem ao Ford Shelby GT500 1967 pilotado pelo Nicholas Cage no filme 60 segundos. Um carro que tinha personalidade, vida própria e temperamento difícil, que apenas um excelente piloto poderia domar.

Eleanor

Quando cheguei à concessionária, fiquei namorando a Twister Prata que estava em um cartaz na loja. Rapidamente um vendedor chegou e perguntou se eu estava interessada, falei “sim, é claro, eu quero uma prata!”, e então ele perguntou “vai ser sua primeira moto?”, eu respondi sim, e que quero a prata já que essa cor é recém lançada (2005). Então ele falou, “porque você não começa com uma BIZ?”. Nem dei papo. Falei que queria a Twister. Não satisfeito, ele continuou com mais uma pergunta desnecessária: “Porque você não pega uma vermelha? Afinal combina mais com mulher!”. “Faz o teu serviço, é vender o que eu quero comprar!”, foi a resposta que eu dei, delicada feito um homem-bomba. Esse era o primeiro exemplo do que estava por vir.

Eu e minha Twister

Logo que comecei a pilotar, tive muita dificuldade. Eu não tinha muita habilidade com a moto, mas a vontade de pilotar o meu sonho era grande! Saia com a Eleonora pelas ruas de Foz do Iguaçu achando que estava abafando! Muitas pessoas me mandaram ir pilotar um fogão, e isso me deprimia, mas eu pensava “preciso me manter viva durante o primeiro mês, se isso acontecer serei uma boa Motociclista”, e então o desanimo passou e hoje não me imagino pilotando nada que não seja uma moto.

Comecei a ler sobre motos de maneira louca, queria saber tudo sobre a minha Eleonora, tanto li que já sabia dos principais problemas de uma Twister, e quando começou a barulheira da corrente de comando, eu já falei para o mecânico que ele deveria trocar o tensionador. O mecânico, com cara de deboche, me olhou e perguntou “o que você entende de mecânica?”. Fiquei meio constrangida mas isso passou no dia seguinte quando ele veio até mim falando que o problema da moto era mesmo o tensionador. Nesse momento fiquei em silencio pra poder admirar melhor o sorriso amarelo onde ele tentava disfarçar a vergonha por não ter me dado credito no dia anterior.

Essa história é longa, depois eu conto mais!

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