Porquê NÃO ter uma Honda Lead

Há muito tempo estive querendo escrever este post, mas por causa do que aconteceu no final do ano passado, ficaria parecendo pura e simples perseguição, e esta não é a postura que gostamos de adotar por aqui. Mas acho que temos credibilidade suficiente para que as pessoas acreditem que não se trata de perseguição, mas sim de uma análise mais profunda de um produto, já que agora faz quase 3 anos que tenho a Moto e sei bem o que ela é ou não é.

Quando decidimos comprar uma moto, em 2010, fizemos sem pensar muito. Eu havia acabado de sofrer um dia de cão com o transporte público e qualquer moto é melhor do que um ônibus lotado em dia quente. Naquela época não podíamos gastar muito dinheiro, mas eu não queria uma moto “tipo CG”, e a Biz também não era uma opção que eu considerava. Me restou a Lead, que a princípio era uma excelente moto. Automática, injetada, bastante espaço interno… Parecia perfeita. E por um tempo foi mesmo perfeita, enquanto eu usava para ir a academia, supermercado e outros lugares próximos, a moto atendia bem. Até o dia em que eu precisei começar a usa-la para ir trabalhar.

Ergonomia

No ano passado, comecei a trabalhar no bairro da Saúde, na zona sul de São Paulo (20km da minha casa). Ironicamente, foi quando a minha saúde começou a ir para o espaço. Nunca tive problemas de coluna, e comecei a ter depois que passei a fazer esse trajeto mais longo com a Lead. As dores foram aumentando até se tornarem insuportáveis, então fui ao médico (que por coincidência também é Motociclista), e ele foi enfático: “O problema é a Scooter. Troque por uma moto com suspensão melhor e seu problema acaba”. A explicação é a suspensão de curso pequeno e a posição de pilotagem, sentado, com o peso completamente apoiado na coluna.

A explicação dele faz sentido, pois realmente, o que a Lead mais faz é pular. Qualquer ondulação no asfalto, qualquer buraco, valeta, lombada, até mesmo guia rebaixada, é uma martelada direta na minha coluna. Parei de usar a moto por um mês e as dores foram embora. Porém, eu preciso da moto para ir trabalhar, não posso depender de carona sempre, então fiquei em uma situação difícil.

Segurança

Outra coisa que me irrita muito é que tenho a impressão que a moto é tão pequena que os motoristas dos carros simplesmente não me enxergam. Nos últimos 3 meses dois carros bateram atrás da minha moto, e ambos falaram que não conseguiram ver a moto. Parece que essa “coisinha” é tão pequena que passa despercebida para quem dirige carros. Nas duas batidas eu me machuquei mas não cai da moto, na primeira vez fui arremessada para longe e fiquei com dor nas costas por dias, e na segunda vez fiz a besteira de colocar o pé no chão para evitar uma queda, e com isso machuquei o joelho, ambas as vezes vinham carros na outra direção e por sorte eu não sofri uma segunda batida. Estranhamente, nestes dois acidentes a moto não sofreu absolutamente nenhum dano.

Sofri um terceiro acidente também, no final de Janeiro. Eu estava indo trabalhar e dando carona para minha irmã. Estava começando a chover, e antes de passar em uma lombada eu usei os freios, com o cuidado que se deve ter nestas situações de piso escorregadio… Mas o cuidado não foi suficiente, e quando vi, já estava rodopiando pelo chão.

Freios combinados da Lead

Eu não estava rápida e nem me precipitei em usar os freios demais. A conclusão que cheguei é que o maior responsável foi a porcaria do freio combinado. Ao acionar o freio traseiro, o dianteiro também se aciona sozinho, e isso foi o que me derrubou, pois a roda dianteira travou e a moto simplesmente sumiu de baixo de mim. Neste, tive algumas carenagens raladas, mas a moto continua inteira, funcionando e 100% alinhada. Machuquei os pulsos (doem um pouco até hoje) e fiquei 3 dias afastada do trabalho, além de estragar a jaqueta.

Motor e assistência técnica

E por último, tenho dois problemas com o motor. Um deles é minha culpa: Eu escolhi ele – Simples assim. O motor é fraco, e eu é que fui ingênua ao achar que um motor de 110 cc iria me atender. A moto não permite que eu sequer rode na Marginal Pinheiros na velocidade limite, que é de 90 km/h. A velocidade máxima da Lead é de 80 km/h, parece suficiente, mas não é quando todos estão mais rápidos que você.

O segundo problema é um defeito crônico, diria até que é um problema de engenharia. O eixo do motor possui um retentor de borracha que, com 5000 km, apresentou um defeito e começou a vazar óleo para dentro da caixa da correia. Mandei substituir (em garantia) mas após 5000 km novamente, o mesmo retentor deu problema. Após a segunda troca, novamente o mesmo problema, e agora a moto já não está mais na garantia. Os “mecânicos” da concessionária dizem que há outro retentor interno, e TALVEZ este seja o problema… Mas para saber, só abrindo o motor, ao custo de 15% do valor da moto (R$ 600,00), o retentor custa R$ 6,00 (seis reais). Claro que a moto está vazando óleo até hoje, com 25 mil km rodados.

Troca de óleo da Lead

Essa foto ai de cima foi a “troca” de óleo… Era para ter saído 900 ml de óleo nesta bandeja. Se saiu 100 ml, foi muito. Por pouco não fundi o motor.

Outra piada da concessionária daqui: Pastilha de freio original da Lead: R$ 239,00. Para se ter uma ideia, as originais da V-Strom, na concessionária, custam R$ 120,00, metade do preço dessas da Lead. É claro que estão malucos! Eu disse: “Eu perguntei o preço das pastilhas da Lead, não do par das pastilhas de Hornet”. Já comprei as paralelas (Fisher por R$ 12,00) e o Daniel já instalou para mim.

As carenagens raladas só são vendidas num kit com todas. Eu só ralei a peça menor da lateral esquerda, mas vou ter que comprar as 4 peças que compõe o kit lateral (de ambos os lados) por R$ 189,00, e o paralama dianteiro, mais R$ 189,00.

Carenagens da Lead

Conclusão

Essa moto tirou a minha vontade de andar de moto. Ela é fraca, é desengonçada, acaba com a minha saúde e ainda me coloca em risco. Eu estou acabando de pagar o financiamento dela e assim que terminar, vou vender e comprar uma moto de verdade. Ultimamente não tenho mais usado ela, e estou indo trabalhar de carona com o Daniel. Simplesmente não me dá mais vontade de usar essa moto.

Escolhi por impulso quando fui comprar, esquecendo que a vida muda e que nunca sabemos o que o amanhã nos reserva. Comprei a moto achando que ela me atenderia em qualquer situação, mas hoje vejo que ela só serve para andar dentro do condomínio.

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